Pensamento Sistêmico… a abordagem para o Ecossistema da Produtividade

Décadas de pesquisa científica mostram que o estresse e a ansiedade são problemas prevalentes no trabalho, contribuindo para déficits no moral, no bem-estar e na produtividade dos funcionários. Trabalhamos horas excessivas em o que parece ser um cronograma sem limites, assumindo compromissos repetidamente e, lamentavelmente, entregando menos do que o prometido.

Parece que a norma em nossa sociedade moderna é viver correndo e reclamando de estar “tão ocupado” — ou, em alguns casos, vangloriando-se disso. A ocupação excessiva (busyness) parece ser uma pandemia, ocorrendo em uma ampla área geográfica e afetando uma proporção excepcionalmente alta da população.

O pior é que parecemos sacrificar nossa saúde, nossos relacionamentos com entes queridos e desistir de nossos sonhos. Quero que você tenha em mente que a ocupação frenética e o multitasking caótico não são glamourosos, e a produtividade não se trata de ser o trabalhador mais esforçado em seus ecossistemas. Como diria Stephen R. Covey, “a ocupação é uma desculpa que usamos para evitar fazer as coisas prioritárias em nossas vidas”.

Como nas organizações de hoje os trabalhadores do conhecimento são mais autônomos, com habilidades socioemocionais aprimoradas, pensamento crítico aguçado, hiperconectados e com expectativas sociais e culturais latentes, seus papéis e responsabilidades são mais fluidos. Esses indivíduos se unem e colaboram em equipes orgânicas em seus ecossistemas de negócios, onde a maior parte do valor é criada. Em suma, as equipes são o cenário social por excelência para a colaboração, criação de valor, aprendizado e desenvolvimento.

Mas o que quero dizer com a expressão “ecossistema de negócios”? Em meu livro recém-publicado, “O Ecossistema da Produtividade”, defino ecossistema de negócios como: a) a rede de organizações — incluindo fornecedores, distribuidores, clientes, concorrentes, agências governamentais e assim por diante — envolvidas na entrega de um produto ou serviço específico por meio de competição e cooperação; e b) um modelo de governança que compete com outras formas de organizar a criação de um produto ou serviço, como uma organização verticalmente integrada, uma cadeia de suprimentos hierárquica ou um modelo de mercado aberto.

O ponto central desta definição dupla é que cada entidade no ecossistema afeta e é afetada pelas outras, criando um relacionamento em constante evolução no qual cada entidade deve ser flexível e adaptável para sobreviver, como em um ecossistema biológico. Um sistema dinâmico em sua essência, onde nada é ou deve ser estático.

É por isso que uma abordagem de pensamento sistêmico é necessária para compreender plenamente as nuances do meu paradigma do Ecossistema da Produtividade. Como tal, trata-se de uma configuração fluida e organizada de elementos que trabalham de mãos dadas para atingir um propósito geral.

O pensamento sistêmico na prática nos encoraja a explorar inter-relacionamentos (contexto e conexões), perspectivas (cada ator tem sua própria percepção única da situação) e limites (acordando sobre escopo, escala e o que pode constituir uma melhoria). Em geral, inclui a disposição de ver uma situação de forma mais completa, reconhecer que somos inter-relacionados, admitir que muitas vezes existem múltiplas intervenções para uma situação e defender intervenções inovadoras e “fora da caixa”.

Em meu paradigma, três sistemas estão intrínseca e dinamicamente interligados para formar o Ecossistema da Produtividade: o Núcleo, o Contexto e a dimensão do Tempo.

  • Núcleo (Core) – Descobrimos que a produtividade é sempre uma combinação dinâmica de três elementos: o Eu (Self), as Ferramentas (técnicas) e o Equipamento. É o que chamamos de Núcleo da Produtividade.

  • Contexto – Esses elementos intimamente interligados são sempre cercados por forças ambientais, como forças socioeconômicas globais; tipo de negócio e indústria; cultura, clima e estrutura organizacional; política interna e afins. É o que chamamos de Contexto da Produtividade; também muito dinâmico.

  • Tempo – É o fator que permeia tudo e é onipresente. O tempo, portanto, é o meta-sistema que envolve todos os outros sistemas. No entanto, para fins de produtividade, o tempo é um recurso limitado. O que você faz nele é o que faz a diferença. Por mais revolucionário que pareça, acredito firmemente que não gerenciamos o tempo. Em vez disso, na busca por ganhos de produtividade, o que precisamos fazer é gerenciar todas as nossas tarefas de forma sistemática e eficiente, eliminando atividades que geram desperdício, organizando as atividades de maior valor agregado e comunicando-se de forma assertiva.

É em um ecossistema de equipes que a ideação, a inovação, a colaboração, a tomada de decisão e o aprendizado ocorrem. O que parece indispensável para aumentar a produtividade, então, é equipar essas equipes com o poder de executar e implementar suas soluções com agilidade e assertividade. O aumento do empoderamento (empowerment) é essencial; a responsabilidade (accountability) redefinida é um pré-requisito. Isso tem consequências profundas em termos de liderança, tomada de decisão, trabalho em equipe e comunicação.