Curiosamente, nestes dias em que afirmamos e reclamamos que não temos tempo suficiente, a maioria de nós parece esperar até o último minuto para realizar certas tarefas. Fazemos isso porque não gostamos da tarefa em questão ou simplesmente porque ela é desafiadora demais.
O mesmo acontece quando temos medo das consequências e de resultados negativos. Muitas vezes, as coisas são feitas e nenhuma consequência real é sofrida; ou podemos sofrer consequências, mas elas geralmente não são substanciais. Nas palavras da Dra. Ramirez Basco: “a razão número um pela qual procrastinamos é porque podemos”.
A procrastinação é um desafio que todos enfrentamos em algum momento. Desde que os seres humanos existem, lutamos contra o ato de adiar, evitar e procrastinar questões que nos importam. A procrastinação geralmente envolve ignorar uma tarefa desagradável, mas provavelmente mais importante, em favor de uma que seja mais prazerosa ou fácil. Quando procrastinamos, em vez de trabalharmos em tarefas importantes e significativas, vemo-nos realizando atividades triviais.
Procrastinamos para lidar com a situação, bloqueando sentimentos desagradáveis ou até dolorosos sobre certas tarefas sabidamente difíceis de realizar ou com consequências negativas percebidas. Em suma: trata-se de evitar a dor. De acordo com a Dra. Ramirez Basco, é um estado alterado da realidade.
Em resumo, a procrastinação é um hábito tão automático que não requer planejamento consciente; um hábito difícil de mudar. Não é algo que podemos simplesmente decidir abandonar e deixar para lá completamente. É a nossa zona de conforto, onde nos sentimos mais à vontade. Sabemos que está acontecendo quando temos dificuldade em nos persuadir a fazer as coisas que deveríamos ou gostaríamos de fazer.
Pesquisas em psicologia comportamental revelaram um fenômeno chamado “inconsistência temporal”, que ajuda a explicar por que a procrastinação parece nos atrair, apesar das nossas boas intenções. É a tendência do cérebro humano de valorizar recompensas imediatas mais do que recompensas futuras.
Episódios menores de procrastinação podem nos fazer sentir culpados ou envergonhados. Podem levar à redução da produtividade e fazer com que deixemos de atingir nossos objetivos. Pior ainda, quando procrastinamos por um longo período, podemos ficar desmotivados e desiludidos com nosso trabalho, o que pode levar ao estresse, depressão e burnout.
Vale mencionar que procrastinação não é preguiça. A procrastinação é um processo ativo; escolhemos fazer outra coisa em vez da tarefa que sabemos que deveríamos estar realizando. Enquanto a procrastinação é ativa, a preguiça, em contraste, sugere apatia, inatividade e falta de vontade de agir.