O Dilema da Produtividade: não se pode gerir o que não se mede

Embora a produtividade seja relativamente fácil de medir no chão de fábrica ou no campo, ainda não desenvolvemos métricas eficazes para mensurar a produtividade dos trabalhadores do conhecimento na Era Exponencial. Lamentavelmente, continuamos a depender amplamente das horas trabalhadas e do tempo de presença no escritório — ou em espaços virtuais — como indicadores de esforço, o que considero uma “pseudoprodutividade”. A dura realidade é que, com o advento da tecnologia e a viabilidade do trabalho remoto, estar conectado e disponível a qualquer hora tornou-se o novo padrão de presença.

No mundo dos negócios, utilizamos universalmente a produtividade para contabilizar o volume de trabalho concluído, sua qualidade e seu valor em relação aos objetivos organizacionais. Por mais de dois séculos, ela esteve relacionada ao número de horas trabalhadas ou ao capital investido. Dessa forma, a produtividade é quase sempre quantitativa. Teoricamente, as empresas buscam o maior resultado possível com o mínimo de recursos ou insumos.

No despertar da Era da Informação, ou Era Digital, há cerca de 60 anos, passamos a depender exclusivamente de nossas capacidades cognitivas em vez das físicas para produzir. Contudo, continuamos obstinados em definir produtividade com base em unidades processadas por período de tempo.

Mensurar a produtividade na Era Exponencial parece ser um alvo difícil de atingir. As empresas não estão necessariamente rastreando as horas de funcionários assalariados. A verdade é que o trabalho intelectual é menos padronizado e estruturado, e o tempo dedicado ao trabalho torna-se cada vez mais difuso, à medida que uma força de trabalho móvel integra suas vidas profissional e pessoal. Além disso, as entregas são intangíveis e difíceis de definir; os resultados frequentemente baseiam-se na produção da equipe, e não no indivíduo.

É aceito que os ativos mais valiosos de uma empresa do século XX eram seus equipamentos de produção. Dito isso, o ativo mais valioso dos ecossistemas do século XXI, sejam empresariais ou não, é a produtividade de seus trabalhadores do conhecimento — aqueles que “pensam para viver”. Isso torna a produtividade um desafio para definição e mensuração.

Essa complexidade dificulta, ou até impossibilita, a criação de KPIs aplicáveis. Alguns sugerem que medir a produtividade do trabalhador do conhecimento é algo situacional, visto que os resultados e as formas de calculá-los variam amplamente em uma organização. O fato é que, a menos que tenhamos uma definição sólida e aceita, medir a produtividade sustentável e, consequentemente, melhorá-la, será quase impossível.

Portanto, o paradigma é que a produtividade na Era Exponencial de hoje deve significar algo diferente para a organização — nos níveis individual e de equipe. A produtividade atual deve focar em qualidade, adaptação, inovação, pensamento crítico, consciência interpessoal, trabalho em equipe e colaboração. Trata-se de trabalhar no que mais importa: atividades de valor agregado, alinhadas aos objetivos e estratégias de negócio.

Nos ecossistemas atuais, os indivíduos são mais autônomos, possuem habilidades socioemocionais aprimoradas, pensamento crítico aguçado, são hiperconectados, criativos e equipados com inúmeras ferramentas, além de possuírem expectativas sociais e culturais latentes. Seus papéis e responsabilidades são mais fluidos. Além disso, hoje, uma grande quantidade de trabalho é produzida em equipes colaborativas.

Isso levanta a grande questão: como medir a produtividade do colaborador? Não existe uma resposta única e direta. No entanto, antes de tentar definir métricas e KPIs, alguns princípios devem ser observados:

  • A produtividade pode ter significados diferentes para pessoas diferentes. Esclareça isso a elas!
  • É crucial considerar se a função do colaborador foca em qualidade ou quantidade ao medir seu desempenho.
  • A definição de produtividade varia conforme o setor, a organização, o país e a cultura.
  • Como a produtividade agora se baseia em funções cognitivas especializadas, precisamos considerar diferentes habilidades e criar novas métricas.
  • Cabe à organização definir a forma de mensurar e recompensar a produtividade.

As organizações precisam adotar uma visão mais orgânica da produtividade nos processos de criação de valor. A transição do antigo modelo de medição para o novo não será fácil nem rápida. Nossos hábitos e padrões atuais foram construídos para o passado. Migrar para um novo paradigma pode parecer estranho e desafiador, mas é essencial para construirmos o futuro que desejamos.

Precisamos banir a ideia de que mais tempo no escritório — ou logado — equivale a mais trabalho. Romper a forte conexão entre trabalho e tempo é crucial. Precisamos confrontar nosso modelo mental arraigado de que trabalhadores humanos devem ser remunerados por hora ou que seu salário está atrelado a sentar-se em uma mesa por longos períodos. Em vez disso, devemos promover um modelo que valorize o descanso e a desconexão; um modelo que considere o trabalho inteligente, pausas, férias, licenças familiares, sono de qualidade e a não obrigatoriedade de responder mensagens fora do expediente.

Capacitar o trabalho de excelência em toda a organização impulsionará, de fato, um tipo diferente de produtividade: aquela voltada para a criação de valor para os stakeholders, entrega de soluções inovadoras e o fomento de uma cultura de alto desempenho que fortaleça as equipes e impulsione o sucesso organizacional sustentável.